Bauru debate asfaltamento de paralelepípedos históricos

Bauru enfrenta crescente controvérsia sobre a substituição de ruas pavimentadas com paralelepípedos por asfalto. O debate surge em vias onde pedras antigas, ainda visíveis entre remendos de piche, são cobertas após obras subterrâneas, apagando características históricas e reduzindo a capacidade de drenagem do pavimento.

Em São Paulo, cerca de cinco mil ruas ainda conservam o calçamento de pedra. Uma proposta de lei que visava impedir o asfaltamento dessas vias foi rejeitada pela Câmara Municipal, sob a justificativa de que o asfalto traria maior segurança viária, uniformidade e melhores condições de mobilidade, segundo o especialista Lucas Silva Pamio, mestre em Teoria da Arquitetura e do Urbanismo.

Além do valor patrimonial, o paralelepípedo contribui para a drenagem urbana. As juntas entre as pedras permitem que entre 10% e 30% da precipitação infiltre no solo, dependendo da compactação e manutenção. Essa permeabilidade diminui a velocidade do escoamento e alivia a sobrecarga dos sistemas de microdrenagem, aspecto relevante em um contexto de frequentes enchentes e ilhas de calor.

Cidades europeias como Alemanha, França e Portugal mantêm políticas de valorização das ruas de pedra, reconhecendo tanto seu valor histórico quanto suas vantagens técnicas. Em Bauru, o debate começa a ganhar espaço institucional, com o CODEPAC (Conselho de Defesa do Patrimônio) participando das discussões, embora ainda não haja definição clara sobre a proteção ou substituição desses pavimentos.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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