Presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira que comparecerá ao Senado para exercer seu direito de defesa no processo de impeachment aberto contra ele. A sessão extraordinária foi convocada para a noite de quinta-feira, com a formalização do procedimento prevista para a manhã de sexta-feira, quando o presidente deverá apresentar argumentos e provas em respeito à Constituição.
A crise que motivou o pedido de destituição tem origem no Ueno Bank, liquidado pelo Banco Central paraguaio na terça-feira após a identificação de graves problemas financeiros. O banco atendia cerca de 2,9 milhões de clientes e suspendeu suas atividades, congelando os depósitos de três milhões de pessoas, quase metade da população.
Peña foi acionista da holding controladora do Ueno Bank até março de 2025, período em que já exercia a presidência, gerando acusações de conflito de interesses e favorecimento na destinação de recursos públicos.
A situação provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, e a prisão de oito pessoas ligadas à instituição financeira. Paralelamente, milhares de manifestantes se reuniram no entorno do Congresso, em Assunção, exigindo a destituição de Peña e a devolução dos recursos retidos. A polícia estimou a presença de cerca de cinco mil pessoas, registrando confrontos entre jovens manifestantes e a força pública.
Apesar da pressão popular e das investigações em curso, Peña manteve que sua defesa será baseada em documentos e argumentos legais. O desfecho do processo de impeachment ainda depende da deliberação do Senado, que deve analisar as provas apresentadas e decidir sobre a continuidade ou o arquivamento do caso.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


