Guillaume Long, ex‑chanceler do Equador, avaliou a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro como um “dique democrático”. Em entrevista exclusiva à CartaCapital, o professor e pesquisador sênior do Centro de Pesquisa Econômica e Política, que esteve no Brasil para acompanhar o pleito, destacou que o resultado eleitoral funciona como barreira contra a expansão da extrema‑direita na América Latina.
Long apontou que a eleição brasileira envia um sinal extremamente positivo e de alcance global, contrapondo uma onda internacional de direita radical liderada por figuras como Donald Trump. Segundo ele, essa onda tem ramificações profundas na Europa, no Sul Global, nos países do BRICS e na África Subsaariana, alimentada por teologia da prosperidade neopentecostal, sionismo cristão e pautas xenófobas.
O ex‑chanceler ressaltou que o Brasil, com sua centralidade demográfica e econômica, tem papel decisivo para reverter essa tendência.
Para Long, a gestão de Lula representa um referendo sobre democracia e soberania nacional. Ele citou marcas da administração, como a redução da pobreza, a queda do desemprego e a saída do país do Mapa da Fome, além da reversão do desmonte de regulações ambientais que havia ameaçado a Amazônia. O pesquisador enfatizou que o resultado eleitoral uniu setores além do lulismo para rejeitar o autoritarismo e a subordinação geopolítica a Washington.
Apesar do otimismo, Long reconheceu que a direita venceu sete eleições no continente nos últimos dois anos, indicando que o desafio de consolidar a institucionalidade democrática permanece. Ele concluiu que a vitória de Lula é o fato eleitoral mais relevante para o campo progressista em anos, mas que a luta contra a extrema‑direita ainda exige vigilância e ação coordenada na região.
Redação Jornal Voz do Litoral
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