Voto distrital misto pode ampliar poder de presidentes de partidos

A proposta de voto distrital misto, atualmente em debate no Congresso, foi analisada por João Henrique Hummel, diretor‑executivo da Action Consultoria, que apontou um fortalecimento das lideranças partidárias e um aumento do poder central do presidente do partido.

Hummel explicou que o modelo, ao dividir a eleição entre representantes eleitos por distrito e por lista pré‑estabelecida, tornaria a entrada na política progressivamente mais cara e mais dependente das lideranças. “Cada dia mais forte a presença do líder do partido, que vai ter o caixa e o controle dos diretórios nacionais”, afirmou o especialista, destacando que o financiamento público da política, por meio do fundo eleitoral e do fundo partidário, impulsiona esse movimento.

Segundo ele, a reforma política de 2018, que reduziu o número de partidos, já contribuiu para consolidar as lideranças. Com o voto distrital misto, essa tendência seria aprofundada, pois os diretórios estaduais deixariam de ser definitivos e eleitorais, ampliando ainda mais o poder central das cúpulas.

O especialista também vinculou o contexto atual, marcado por questionamentos sobre emendas parlamentares e o escândalo do Master, à motivação das lideranças para se fortalecerem por meio da reforma.

Hummel ainda indicou que a resistência à proposta não virá apenas do PT e do PL, mas também de partidos menores que ainda têm chances de sobreviver no cenário atual. Esses grupos devem se posicionar contra o modelo, temendo a perda de espaço político.

A matéria evidencia que, embora a proposta ainda esteja em discussão, seu avanço depende de como as lideranças partidárias e os partidos menores reagirão ao potencial aumento de concentração de poder nas cúpulas nacionais.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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