Na última semana, a Rússia intensificou sua campanha de “zona cinzenta” contra a Europa, realizando uma série de ataques que pretendem aproximar a guerra sem declará‑la formalmente. Desde o domingo passado (13), um trem que transportava ex‑autoridades ocidentais de alto escalão foi atingido por um drone russo; outro drone foi abatido nas forças de defesa da Lituânia; um terceiro apareceu na costa da Polônia; um helicóptero dinamarquês escapou por pouco de ser atingido por um sinalizador russo; e trens holandeses foram paralisados por um ato de sabotagem cuja autoria ainda não foi reivindicada.
Esses episódios se inserem em uma estratégia descrita como construída em torno de contradições: provocar sem forçar resposta, alarmar sem mudar comportamentos reais. A intensificação da “zona cinzenta” ocorreu após semanas de alertas de que Moscou buscaria uma escalada com a OTAN, embora, segundo a análise, a Rússia talvez não deseje ou não tenha condições de sustentar um conflito aberto com a maior aliança militar da história. O presidente Vladimir Putin teria dois objetivos claros: primeiro, fazer o custo de apoiar a Ucrânia parecer real e crescente, influenciando eleitores europeus em meio ao avanço de partidos de direita pró‑Rússia; segundo, testar a aplicação do Artigo 5 da OTAN, a cláusula que considera um ataque a um membro como ataque a todos.
Um diplomata europeu, que preferiu permanecer anônimo, afirmou que o que está acontecendo “ativaria o Artigo 4 da OTAN há apenas alguns meses”, mas que agora “está se tornando algo quase diário”. Os ataques, que incluem sabotagens de infraestrutura ferroviária, uso de drones e sinalizadores, têm gerado preocupação nas capitais europeias, que monitoram a possibilidade de uma reunião de emergência prevista no Artigo 4. A falta de reivindicação de responsabilidade por parte de Moscou deixa as autoridades em alerta, enquanto a percepção de risco aumenta entre os países da aliança.
A matéria evidencia que, embora os incidentes não tenham escalado para um conflito aberto, eles criam um clima de insegurança que pode pressionar a Europa a reconsiderar seu apoio à Ucrânia. Ainda não há respostas oficiais da OTAN ou dos governos afetados sobre medidas concretas a serem adotadas. Quem assumirá a responsabilidade de coordenar a resposta diante dessa escalada quase cotidiana?
Redação Jornal Voz do Litoral
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