A economia do Brasil tem se mantido até o momento graças a um período de leniência fiscal internacional, mas essa condição parece estar mudando, segundo o economista Jeferson Bittencourt, da ASA Investments e ex-secretário do Tesouro Nacional.
Em entrevista ao WW, Bittencourt comentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na quarta-feira (4), destacando que o cenário fiscal interno é preocupante.
O especialista apontou que o país registrou um grande déficit no primeiro ano do atual mandato, seguido de um déficit estável em torno de 0,5% ao longo de todo o período, combinado com juros elevados. Ele alertou que a capacidade do Brasil de honrar seus compromissos financeiros não suportaria um novo crescimento da mesma magnitude no próximo mandato, pois os efeitos do desequilíbrio nas contas públicas tendem a se agravar de forma exponencial a partir de determinado nível de endividamento.
Bittencourt ressaltou ainda que o ambiente internacional, antes tolerante a desequilíbrios fiscais, está passando por uma transformação significativa. “Só conseguimos chegar até aqui porque o mundo vivia um período de leniência fiscal”, afirmou, acrescentando que países avançados começam a rever suas posturas em relação ao tema.
Com o desequilíbrio fiscal interno, juros altos e crescimento econômico arrefecido, a dívida brasileira tende a continuar crescendo, elevando o custo de um eventual ajuste.
No debate, o analista Caio Junqueira avaliou que não deve haver um ajuste nos moldes de 2003, mas que há busca de evitar a repetição dos episódios de 2014 e 2015, sugerindo um controle mais tímido do resultado primário, bloqueio de recursos no caixa e eventual ampliação da base tributária, sem redução efetiva dos gastos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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