O impeachment de Santiago Peña, presidente do Paraguai, foi caracterizado pelo economista e cientista político Víctor Raúl Benítez como um golpe político “palaciano”, isto é, articulado entre aliados internos ao seu próprio campo político. Benítez afirmou que a traição partiu de dentro do Partido Colorado, destacando a atuação de Pedro Alliana, então vice-presidente e agora à frente do país, e de Horacio Cartes, presidente do partido e ex-presidente da República.
Para o especialista, o processo revelou o colapso de um modelo de “crony capitalism”, ou capitalismo de amigos, que gerou um rombo que afeta cerca de três milhões de contas – aproximadamente metade da população paraguaia. O conflito central girava em torno de um banco financiado com recursos públicos, transformando a política, nas mãos de Peña, na principal atividade privada com fins de lucro no país.
Benítez descreveu Horacio Cartes como o grande articulador da destituição, apontando seu poder sobre parlamentares, a Procuradoria, a Justiça e o mundo empresarial. Segundo o especialista, Cartes, com fortes ligações ao Brasil, teria retomado sua posição dominante após perder temporariamente o controle por cerca de quinze dias, devido a uma suposta traição de Peña e Alliana. O vice-presidente Alliana, por sua vez, teria “pulado do barco” instigado por Cartes.
Com a destituição, Benítez prevê que o governo operará em “modo piloto automático” até as próximas eleições, enquanto a oposição, representada por jovens procuradores ligados ao Partido Liberal Radical Autêntico e ao Partido Pátria Querida, sai bem posicionada.
O especialista ainda indica uma alta probabilidade de alternância política em 2028, comparando o cenário ao surgimento de Fernando Lugo em 2008, sugerindo que o país pode vivenciar outra mudança de liderança nos próximos anos.
Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação


