Machado retorna à Venezuela e desafia plano dos EUA

Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, chegou ao país neste domingo ao se apresentar na igreja Santa Rosa de Barquisimeto, no centro‑oeste da Venezuela. Seu retorno interrompe o período que analistas chamavam de “novo momento político”, iniciado após a operação militar de 3 de janeiro que prendeu o ex‑ditador Nicolás Maduro.

A presença de Machado pressiona a presidente interina Delcy Rodríguez e reacende tensões dentro da ala chavista que, até o dia 25, mantinha relativa tranquilidade. O chavismo, apoiado por Washington, havia reformado leis, libertado presos políticos, permitido o retorno de exilados e concedido a uma empresa ligada ao Pentágono acesso privilegiado às reservas de petróleo.

Ao chegar, Machado afirmou que a relação com os Estados Unidos está “abalada, mas não interrompida”, citando uma fonte próxima ao seu círculo que destacou os EUA como principal aliado estratégico da oposição. O retorno ocorre quatro meses após os terremotos de 24 de junho, que intensificaram a pressão sobre o regime, apesar de Washington ter desaconselhado a volta por questões de segurança.

Machado tentou retornar várias vezes a partir do Panamá, onde passou as últimas semanas, mas foi impedida pelo que o diretor de relações internacionais do partido Vente Venezuela, Pedro Urruchurtu, descreveu como “bloqueio do regime”. Seu retorno agora coloca à prova o vínculo entre o chavismo e os interesses norte‑americanos, que buscam estabelecer um marco institucional livre dos sobressaltos provocados pela presença da líder oposicionista.

Redação Jornal Voz do Litoral
Imagens: Divulgação

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