O presidente Santiago Peña renunciou na tarde de 5 de novembro de 2026, pressionado por manifestações populares que exigiam a devolução de recursos e seu afastamento após a fraude contábil no banco digital Ueno. A crise financeira, desencadeada pela administração do grupo que controla o Ueno, deixou cerca de 3 milhões de paraguaios – mais da metade da população adulta – sem acesso ao próprio dinheiro.
A fraude revelou que o banco havia recebido, sob autorização presidencial, milhões de dólares provenientes da Previdência e do Ministério da Saúde. Até março de 2025, Peña foi sócio do grupo controlador do Ueno, fato que alimentou as acusações de responsabilidade direta. Nos últimos dias, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Assunção, cobrando a devolução dos recursos e o impeachment do presidente.
Apesar da renúncia, o Congresso não aceitou o pedido e iniciou o processo de impeachment. O Senado do Paraguai começou a julgar a renúncia, enquanto a Câmara decide seguir com o impeachment. O vice-presidente Pedro Alliana foi indicado para assumir a presidência, conforme decisão do Congresso que rejeitou a tentativa de afastamento do vice.
Uma entrevista no podcast O Assunto traz a análise do cientista político Eduardo Heleno, que descreve as repercussões políticas e diplomáticas da crise, inclusive na relação do Paraguai com o Brasil. A situação permanece incerta, com o país enfrentando pressão interna e externa para estabilizar o sistema financeiro e garantir o acesso dos cidadãos aos seus recursos.
Redação Jornal Voz do Litoral
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