Um estudo recente identificou prioridades essenciais para garantir a continuidade dos tratamentos de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS) durante emergências sanitárias e climáticas no Brasil. A pesquisa alerta que a interrupção de diagnósticos e o adiamento de procedimentos em períodos de calamidade trazem riscos graves para pacientes que dependem de acompanhamento especializado contínuo no sistema público.
O levantamento ocorre em um momento em que a incidência da doença cresce no país, sendo o câncer a segunda principal causa de morte na população brasileira. De acordo com dados da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), a estimativa é de um aumento de 84% no número anual de casos entre os anos de 2022 e 2050.
Esse cenário exige expansão da capacidade do SUS, aliada a um planejamento para que a estrutura de saúde continue operando sem colapsar diante de eventos extremos.
Casos recentes no país demonstram a vulnerabilidade do sistema em cenários de exceção. Durante a pandemia de covid-19 e nas severas inundações que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, unidades de saúde perderam a capacidade operacional, gerando cancelamentos de consultas e impedindo o deslocamento de pacientes.
Além disso, o acesso a medicamentos foi afetado, impactando de forma mais acentuada as populações que já lidam com barreiras sociais, econômicas e territoriais.
Para superar essas fragilidades, especialistas destacam que a preparação para crises precisa incluir formalmente as políticas de controle do câncer. Embora o SUS ofereça atendimento universal e gratuito, persistem entraves estruturais de financiamento, desigualdades regionais na oferta de serviços e falhas de coordenação entre os diferentes níveis de atendimento, questões que ainda aguardam soluções integradas no planejamento nacional.
Redação Jornal Voz do Litoral
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