O economista Daniel Couri, especialista em contas públicas, afirmou que a agenda fiscal brasileira deve ser tratada como um movimento apartidário, voltado a elevar a gestão das contas públicas a patamares civilizatórios. Em entrevista ao WW, Couri destacou que, embora um ajuste fiscal seja necessário, ele não basta para resolver o problema do crescimento econômico no país, servindo apenas para colocar o endividamento dentro de limites considerados civilizados.
Couri apresentou dados comparativos que revelam a gravidade da situação fiscal do Brasil no cenário internacional. Segundo o especialista, em 2026 apenas 21 países de uma lista de 180 nações terão dívida pública maior que a brasileira, e quase todos são países avançados. No que tange aos gastos com juros, a situação se mostra ainda mais alarmante: apenas Bahrein e Egito deverão desembolsar valores superiores aos do Brasil nessa rubrica.
O economista manifestou surpresa ao observar que o debate público tem se concentrado excessivamente na necessidade do ajuste fiscal, embora esse movimento não seja capaz de solucionar a questão do crescimento econômico. Couri sugeriu que essa agenda deveria ser suficientemente forte para convencer o Congresso de sua natureza apartidária.
Ele também apontou que a recente mudança na composição do Congresso Nacional adiciona incerteza às perspectivas de avanço das reformas necessárias.
A análise de Couri indica que, sem uma abordagem mais ampla que vá além do mero ajuste, a agenda fiscal pode não alcançar os resultados esperados. O especialista concluiu que a discussão deve se aprofundar nas causas estruturais da dívida e dos juros, para que políticas efetivas sejam implementadas sem depender de alinhamentos partidários.
Redação Jornal Voz do Litoral
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