A partir de sábado, 7 de setembro de 2026, começa a interoperabilidade de bandeiras de vales-refeição e alimentação (VR e VA) no Brasil, conforme o decreto federal publicado em novembro de 2025 que moderniza o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). O objetivo é que todas as maquininhas aceitem pagamentos com qualquer benefício, mas empresas do setor apontam um despreparo técnico que pode impedir a aceitação plena já nesta data.
A diretora jurídica da Swile Brasil, Any Genovez, afirma que, apesar de um ano de adaptação, o mercado ainda não está pronto para a mudança. O CEO do iFood Benefícios, Arthur Gouvea de Freitas, reforça que a interoperabilidade é apenas a “cereja do bolo”, dependente de uma estrutura maior prevista no decreto, incluindo a limitação das taxas cobradas pelas operadoras a 3,5% e a transição dos arranjos fechados para o regime aberto.
Essas duas mudanças deveriam estar em vigor desde maio de 2026, mas, segundo Freitas, ainda não foram implantadas. A pesquisa Ipsos‑Ipec de 20 de agosto de 2026 mostra que as taxas cobradas dos restaurantes subiram de 5,19% para 6,18% em um ano, evidenciando a pressão sobre o setor. Além disso, a abertura dos arranjos ainda não evoluiu, mantendo a aceitação dos cartões limitada aos estabelecimentos vinculados ao arranjo fechado.
Sem a definição técnica e operacional necessária, a interoperabilidade plena não será automática. O setor aguarda respostas das operadoras e dos reguladores sobre os prazos e os mecanismos que garantirão a aceitação dos cartões VR e VA em qualquer estabelecimento, enquanto os comerciantes permanecem incertos sobre a efetiva aplicação das novas regras.
Redação Jornal Voz do Litoral
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